Comprou um Ryzen 7 5800X3D usado e ficou sem Valorant: o processador trazia o ban do antigo dono

Um jogador alemão comprou um AMD Ryzen 7 5800X3D em segunda mão e, ao abrir o Valorant, foi logo expulso do jogo. O motivo: o antigo dono do processador tinha sido apanhado a fazer batota e levou um ban de hardware a 12 de agosto. O jogador comprou o processador no Kleinanzeigen, um site alemão de anúncios, a 21 de setembro. O caso foi contado por ele no Reddit, no fórum alemão r/PCBaumeister, e divulgado esta semana pela heise.
O que aconteceu
Segundo o jogador, o suporte da Riot confirmou que o identificador do processador estava na lista de bloqueio do Vanguard, o sistema anti-batota da Riot Games. Mais tarde, ainda segundo o que ele conta, o suporte disse-lhe que também a motherboard e o disco tinham ido parar à mesma lista.
O pedido para levantar o bloqueio foi recusado. A Riot terá respondido que não retira estes bloqueios à mão, mesmo quando a peça mudou de dono.

O 5800X3D é um dos processadores AM4 mais procurados para jogos, graças à cache 3D V-Cache, e muitos passam de mão em mão no mercado de usados. A AMD até o relançou em junho numa edição especial dos 10 anos do AM4.
A Riot não comentou o caso publicamente. A Cybernews e a PCWorld pediram uma reação à empresa e, até à publicação, não tiveram resposta.
O que é um ban de hardware (HWID)
Um ban normal bloqueia a conta. Quem faz batota pode simplesmente criar outra. Um ban de hardware, ou HWID (de hardware ID), bloqueia o computador: o anti-batota guarda um identificador das peças e, se essas peças voltarem a aparecer, o jogo não arranca, seja qual for a conta. A Riot diz que só o usa em casos graves, como reincidentes.
No caso do Valorant, o código de erro associado a este tipo de bloqueio é o VAN 152. Reinstalar o jogo ou o Vanguard não resolve.

Porque é que o bloqueio seguiu o processador
O Vanguard exige TPM 2.0 e Secure Boot ligados. O TPM é um pequeno "cofre" de segurança do PC, com uma chave única gravada de fábrica (a Endorsement Key). A própria Riot já explicou que usa o TPM para ter "uma forma melhor de identificar o hardware", difícil de falsificar.
Nos Ryzen, o TPM normalmente não é um chip à parte: é o fTPM, que funciona dentro do processador. Ou seja, a chave viaja com o CPU. Se esse identificador estiver na lista negra, o bloqueio vai atrás do processador para qualquer PC onde ele for montado.
A Riot nunca detalhou exatamente que dados usa, por isso esta é a explicação mais provável, não uma confirmação oficial. Segundo a heise, o bloqueio pode afetar também os outros jogos da Riot que usam o Vanguard, como o League of Legends.
Não há razão para pânico: é um caso isolado e raro. Mas mostra um risco novo de comprar peças usadas.
Conselhos para quem compra peças usadas
- Compra a quem dá garantia e fatura. Lojas e vendedores profissionais respondem pelo que vendem. Num anúncio entre particulares, é muito mais difícil reclamar.
- Testa antes de pagar, ou logo a seguir. Se jogas Valorant ou League of Legends, abre o jogo nos primeiros dias, enquanto ainda dá para devolver.
- Guarda provas. Anúncio, mensagens com o vendedor, comprovativo de pagamento, data de entrega. Se precisares de pedir à Riot que reveja o bloqueio, é isso que mostra que a peça é tua há pouco tempo.
- Pergunta pelo historial. Pergunta ao vendedor de onde vem a peça, em que PC esteve e porque a vende. Desconfia de pressa, preços muito abaixo do normal e respostas vagas.
- Se acontecer, abre um pedido no suporte da Riot com as provas da compra. A Riot aceita pedidos de reavaliação, mas não garante que o bloqueio seja levantado.
Para quem não conhece o universo do jogo, a cinemática oficial DUALITY:
Se estás a pensar num upgrade de processador e não sabes o que escolher, passa na CHIP7 Portimão. Ajudamos-te a ver o que encaixa no teu PC e a montar tudo.















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